Título: Presença da imigração alemã no Vale do Braço do Norte
Autor: Ignacio Ricken
Editora: Dois Por Quatro
Ano: 2026
Páginas: 474
Formato: 17 x 24 cm
ISBN: 978-85-69609-51-3
INTRODUÇÃO
A imigração alemã em Santa Catarina concentrou-se em três momentos do século XIX: a) nos anos de 1827/1828, na Grande Florianópolis, sendo São Pedro de Alcântara a grande referência; b) meados do século XIX (1850) em Blumenau (Vale do Itajaí), Joinville e São Bento do Sul (norte/nordeste); e c) no período de 1860 a 1865, na Colônia Teresópolis (hoje Águas Mornas) com projeção para o Alto Capivari (São Bonifácio), estendendo-se rio Capivari abaixo e ocupando, ao subir o Vale do Braço do Norte. Este último é o objeto do presente estudo na perspectiva de ONTEM e de HOJE. O Vale do Capivari compreende os atuais municípios de São Bonifácio, São Martinho e Armazém. Por sua vez, o Vale do Braço do Norte compreende hoje os municípios de Braço do Norte, São Ludgero, Grão-Pará, Rio Fortuna e Santa Rosa de Lima, com projeções (comunidades rurais) nos municípios vizinhos, conforme ilustrado e registrado no mapa da “Colônia Imperial Grão-Pará”.
Todavia a presença da etnia alemã no Brasil tem raízes desde o ano de 1500 (equipe de Pedro Álvares Cabral), compreendendo naturalistas, artistas, jesuítas (Missão de Münster e núcleo jesuítico de São Leopoldo, RS), além de arquitetos, engenheiros, militares e corte imperial (Dom Pero e Da. Leopoldina – Império Austro-Húngaro). Mesmo a presença dos holandeses no Nordeste contou com lideranças como Mauricio de Nassau.
Rodrigo Trespack, no artigo “Um país que já nasceu alemão”, informa que “embora o processo de imigração e colonização alemã só tenha começado, de forma organizada, três séculos depois e a Alemanha só tenha se constituído como país, tal como conhecemos hoje, em 1871, o Brasil nunca deixou de ser explorado, visitado e estudado por representantes dos países de língua alemã” (p. 36). Em torno de 1550 temos a presença de Hans Staden, cujo relato está publicado no Wahrhaftige História (História verídica), datado de 1557. Segundo Trespack, “o livro teve mais de cem reedições e adaptações, devido às descrições e gravuras de um Brasil exótico, e foi traduzido rapidamente para o holandês, o latim e o flamengo, assim como o inglês e o francês” (p. 37).
Com o título “Presença Alemã”, a revisa História Viva (2015) resgata para a Feira do Livro de Frankfurt alguns tópicos ali elencados que enriquecem a história das relações Brasil-Alemanha, ao longo dos últimos quinhentos anos. Dois trabalhos recentes estabelecem um paralelo com a imigração alemã, objeto do presente estudo. O primeiro, sob a forma de romance e já divulgado também no cinema, é O Quatrilho, de autoria de José Clemente Pozenato. O tema básico é a ocupação/colonização da Serra Gaúcha, a saber, a região compreendida pelos municípios de Caxias do Sul, Garibaldi e Bento Gonçalves, dentre outros. Como horizonte temporal aborda-se os primeiros tempos da colonização, as iniciativas na agricultura, comércio e indústria (moinhos/atafonas), as relações do imigrante com a autoridade religiosa, o dilema das migrações sucessivas para outros destinos; enfim, as relações sociais daquele período (segunda metade do século XIX).
Na orelha da capa lê-se: “Uma considerável parcela destes pobres aventureiros aportou ao extremo sul do Brasil, onde eles, seus filhos e netos, submetidos às injunções do tempo e do meio, construíram com os defeitos e as qualidades de todos os deslocados sociais, uma sociedade próspera e relativamente igualitária baseada sobre a pequena propriedade rural e, posteriormente, sobre o comércio e a indústria”.
Outro trabalho, publicado em 2008, aborda o Cenário da Imigração Japonesa no Brasil – 1908-2008. Esta imigração concentrou-se, pela ordem, nos estados de São Paulo e do Paraná. No livro são destacadas as contribuições da etnia japonesa no Brasil, nos campos da agricultura, indústria e comércio e artes plásticas. Remete-se, ao final, para o Museu da Imigração, localizado no bairro do Ipiranga (São Paulo) capital.
Prof. Osvaldo Della Giustina (1936-2025), na apresentação de O Vale do Braço do Norte (1973) ressalta a metodologia do trabalho de pesquisa adotada pelo autor, João Leonir Dall’Alba, gaúcho de Caxias do Sul, resgatando não só os fatos, mas também os falares característicos dos entrevistados (de então) da região. Della Giustina, outrossim, provoca futuros leitores a prosseguir na obra de resgate dessa região do sul catarinense.
Inúmeras contribuições, ao longo dos últimos quarenta anos, enriqueceram as fontes de pesquisa da região, oferecendo subsídios valiosos para melhor conhecimento da geografia, história, cultura e economia, mas principalmente as tradições, os valores, hábitos e costumes de sua gente.
Nascido em Rio Fortuna, o autor teve o privilégio de frequentar os bancos escolares no país e na Alemanha, o que resultou no desafio de relatar, interpretar, e analisar as contribuições já dadas a público. Ao lado da identificação do Vale como ‘habitat’ do imigrante alemão, surge a necessidade de, em rápidas pinceladas, desenhar a pátria de origem (à época), bem como a nova pátria que abrigaria o imigrante alemão. Inicialmente isolado, e isolando-se ainda mais para superar as dificuldades materiais da nova geografia e desconhecimento o idioma oficial.
A agricultura familiar fora o perfil desejado pelas autoridades brasileiras não havendo, contudo fórmulas para o enfrentamento dos desafios, seja no confronto com a mata virgem, no amanho da terra (sem tecnologia e sem orientação oficial), seja na falta de mobilidade (infraestrutura de transporte e de acesso ao mercado consumidor.
Como contraponto do ontem surge o hoje, junto de novas organizações político-administrativas e uma economia que responde aos desafios do século XXI e as gerações que dominaram o novo ‘habitat’ (4ª, 5ª e 6ª gerações). Ao desafio do trinômio TOD (morte), NOT (adversidades) e BROT (pão/bem-estar) responde-se com a tecnologia ajustada à realidade do século XXI. Daí, resultariam os indicadores sociais (IDH) invejáveis dos atuais moradores do Vale. O processo de urbanização se instalou e a cidade está se verticalizando. A vida religiosa responde a uma nova realidade, seja na diversidade de credos religiosos, seja na falta de vocações religiosas (no caso da igreja católica).
Um grande desafio se põe à geração do século XXI: inventariar o LEGADO da imigração alemã e buscar as estratégias adequadas para o seu resgate. Após oferecer com três contribuições em eventos do Instituto Carl Hoepcke, o autor participou da equipe que produziu, por ocasião do 50º aniversário do município de Rio Fortuna (SC), o livro comemorativo Rio Fortuna: resgatando as origens, cultivando valores, alicerçando o futuro... (2008). No intuito de homenagear a família que ofereceu as oportunidades educacionais, bem como sua ambiência, o autor publicou em 2013, por ocasião de 100º aniversário do seu pai Gabriel o livro A Presença da Família Ricken nos Vales do Capivari e Braço do Norte. Encorajado, e ao mesmo tempo desafiado, coube-me buscar uma sistematização dos estudos e trabalhos publicados sobre a imigração alemã no Vale do Braço do Norte. Eis agora a conclusão de mais esta tarefa.
Ao final de uma jornada de dez anos, cabe-me expressar os agradecimentos a pessoas e entidades que apoiaram, participaram e facilitaram a presente empreitada. Em primeiro lugar, cabe-me agradecer a minha família, esposa Elisabeth e os filhos Cristina, Rosemarie, Dorothea e Daniel, pela compreensão, estímulo, encorajamento e feedback permanente; ao “trio de ouro” tios Paulino, Marcos e Irmã Elisabeth, pela parceria de décadas, convívio desde a meninice e, principalmente, pelas luzes e sábia contribuição na visão e interpretação dos grandes temas da colonização do Vale; aos digitadores Dalton, Rafael e João Inácio pela paciência e compreensão; ao diagramador Luciano pelo competente e criativo projeto gráfico; à UNISUL e sua Editora, pela honra de fazer parte de seu projeto institucional; à AMUREL pelo apoio e luzes do seu Diretor Executivo Celso Heidemann e do jornalista Dalmagro; e, finalmente ao Prof. Dr. Paulino Vandresen, professor emérito da UFSC, pela parceria e contribuições na paciente tarefa de revisão do texto.
É com o espírito livre que se apresenta esta nova editora catarinense. Os pés nas raízes brasileiras, mas olhando globalmente, para além das fronteiras, com curiosidade, atenção e abertura a todos os estilos literários. Traz em seu quadro profissionais com larga experiência no mercado editorial. Publique seu livro com a Dois Por Quatro. Estamos à sua disposição!