Titanic-Boulogne: a canção de Ana e Antônio

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Título: Titanic-Boulogne: a canção de Ana e Antônio
Autor: Luís Augusto Cassas
Ano: 2023
Categoria: Poesia
Editora: Dois Por Quatro
ISBN: 978-65-88812-58-7
Peso: 200g
Formato: 14 cm x 22 cm
92 páginas

"Luís Augusto Cassas é um poeta que não perde sua aliança de fogo com a poesia. Sua casa habita a transparência. A transfiguração do cotidiano e dos gestos mínimos atinge funda expressividade. Highwindows. Janelas altas filtram uma luz inesperada que empresta novo relevo a seus objetos. A alma das coisas. E as lágrimas de comoção e alegria". Marco Lucchesi

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A CANÇÃO DE ANA E ANTÔNIO

Hildeberto Barbosa Filho

A lírica contemporânea, na sua formulação estética, não dispensa, muitas vezes, os conceitos de “apropriação” e de “paródia” enquanto recursos ou estratégias discursivas, no sentido de reforçar a dimensão dialógica conatural à linguagem poética.
O lastro intertextual, portanto, se torna característico do texto moderno e contemporâneo ao mesmo tempo em que parece inevitável às suas múltiplas possibilidades de estruturação. Enfim, o texto poético se quer autônomo, mas não abdica, contudo, de se transmutar em ecos estilhaçados de textos alheios. Uma voz que se é enquanto voz única e inconfundível, mas uma voz que traz consigo, em ambivalências significativas, as identidades fragmentadas do outro.

Ora, é o que faz o poeta maranhense Luís Augusto Cassas na composição do poema Titanic-Boulogne: a canção de Ana e Antônio, Editora Imago, Rio de Janeiro, 1998, relançado neste ano de 2023, pela Dois Por Quatro Editora, de Florianópolis, ano em que se comemora o bicentenário de nascimento do grande poeta maranhense-brasileiro.

Titanic-Boulogne convoca, para a cena poética, a história e o tema dos amantes que se separam e do amor que não se consuma, a partir do drama especial vivido pelo poeta Gonçalves Dias e Ana Amélia Vale. Ambientado na cidade de São Luís na segunda metade do século XIX, o poema alegoriza, no seu intercurso de vozes poéticas reaproveitadas, os contornos daquela tragédia amorosa.

Como se sabe, ao poeta romântico foi negada a mão de Ana Amélia em função do preconceito de cor. Desiludido, o poeta viaja para o Rio de Janeiro e se casa com Olímpia Costa. Ana Amélia, por sua vez, desposa Domingos Porto. Tempos mais tarde, em Portugal, Antônio reencontra Ana e o amor reprimido volta a transbordar. É a época em que vem a lume o extraordinário poema Ainda uma vez — Adeus. Finalmente, em 1864, o veleiro Ville de Boulogne, em que Gonçalves Dias voltava para São Luís, naufraga e o poeta morre aos 41 anos de idade.

A tragédia, vivida no plano afetivo, adquire, assim, uma imponderável dimensão real. A particularidade do drama romântico se universaliza pela via transfigurativa da visão poética. A história de amor e morte sai, portanto, do seu restrito território episódico para notabilizar-se enquanto metáfora das grandes histórias de amor. O poema de Cassas é também poema de Tristão, de Romeu, de Francesco, de Abelardo e de todo aquele que mergulha no mar da paixão amorosa.

Por isto mesmo, o eu poético, para além de constatar a experiência vivida (“estamos em pleno mar: o poeta Gonçalves Dias/promete à Ana e às tias/amá-la acima do azar”), reflete sobre sua natureza e singularidade, como se pode observar na palavra da Providência, do sugestivo poema Conversa de Feira entre o Destino e o Livre Arbítrio Sobre a Sina do Poeta:

“Não existe fracasso ou êxito / na via do peregrino
Escusar-se ao seu destino / é que avilta o contrato

O amor consiste-se em buscá-lo / Vivê-lo é mor-travessia
Que importa à flor se o talo / desfez-se-lhe a companhia?”

Ao autor não escapa mesmo a sutil correspondência dos naufrágios, que envolvem os amantes na impossibilidade de plenamente viverem a realização do amor. Daí, a correlação entre o Boulogne e o Titanic, filtrado do filme de James Cameron. De outra parte, a fusão ambígua de passado e presente, de romantismo e pós-modernidade, materializada no espaço intertextual da dicção lírica.
Repassando Gonçalves Dias, Castro Alves, Oswald de Andrade, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade e tantos outros que robustecem a nossa tradição poética, Luís Augusto Cassas, com Titanic-Boulogne ensaia, e com êxito, a sintaxe do poema monotemático, polifônico, paródico, a reescrever os sortilégios da experiência amorosa.

Sem escamotear sua inevitável componente trágica, o poeta como que sinaliza, para o leitor deste fim de milênio, que o Amor está aí. Está aí como a vida. Como o melhor da vida, pesar da agonia dos naufrágios.

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